Por Prof. Dr. Carlos Machado
Quem já teve uma crise de cólica renal sabe bem a intensidade da dor.
Diante do sofrimento, a tendência natural é querer se livrar da pedra o
quanto antes — seja pela litotripsia (ondas de choque que fragmentam o
cálculo) ou por cirurgia. Mas médicos especialistas em litíase renal são
unânimes em um ponto: eliminar a pedra não resolve o problema. O
verdadeiro tratamento começa na causa.
"Tratar o cálculo renal sem investigar a causa é como esvaziar um
balde furado sem tampar o buraco. A pedra vai se formar de novo",
explica o urologista. A recorrência da litíase é alta: estima-se que cerca
de 50% dos pacientes que não recebem tratamento preventivo adequado
terão novos episódios em até dez anos.
O que causa o cálculo renal?
A litíase renal — nome técnico para a formação de cálculos nos rins — é
uma doença metabólica e multifatorial. Isso significa que não existe uma
causa única. Entre os fatores mais comuns estão: baixa ingestão de
líquidos, dieta rica em sódio, proteínas animais e oxalato,
hiperparatireoidismo, hipercalciúria (excesso de cálcio na urina),
hiperuricosúria (excesso de ácido úrico), infecções urinárias de
repetição e predisposição genética.
Cada tipo de cálculo — de cálcio, de ácido úrico, de estruvita ou de cistina
— tem origem diferente e exige abordagem diferente. Por isso, a
investigação metabólica é fundamental e insubstituível.
O que deve ser investigado?
Após o episódio agudo, o paciente deve realizar uma avaliação
metabólica completa. Isso inclui exames de sangue (função renal, cálcio,
fósforo, ácido úrico, paratormônio, vitamina D) e urinálise com
urocultura para afastar infecção.
Com base nesses resultados, o médico pode identificar o distúrbio
metabólico específico e prescrever o tratamento correto: ajuste
alimentar individualizado, aumento da ingestão hídrica com metas
monitoradas, e, quando necessário, medicamentos como citrato de
potássio, tiazídicos, alopurinol ou outros.
Por que isso raramente é feito?
A investigação metabólica é subutilizada na prática clínica por diversas
razões: desconhecimento de parte dos médicos sobre a necessidade do
protocolo, falta de acompanhamento do paciente após o episódio agudo,
ausência de cobertura adequada pelos planos de saúde e, sobretudo, a
crença equivocada — tanto de médicos quanto de pacientes — de que
basta beber muita água e o problema está resolvido.
A hidratação é essencial, sim — a recomendação é manter diurese acima
de 2 litros por dia —, mas ela sozinha não corrige distúrbios metabólicos
como hiperparatireoidismo ou hiperuricosúria. Nesses casos, sem o
tratamento específico, os cálculos voltam independentemente de quanto
o paciente beba.
O papel da cirurgia e da litotripsia
Isso não significa que a cirurgia e a litotripsia sejam desnecessárias. Pelo
contrário: há situações em que a retirada do cálculo é urgente —
obstrução com infecção, insuficiência renal aguda, dor intratável. Nesses
casos, o procedimento é indispensável e salva a função renal. No entanto,
isso é muito raro se for realizado o tratamento da causa.
O problema ocorre quando o tratamento termina aí. Retirar o cálculo
sem investigar a causa é tratar o sintoma, não a doença. O paciente sai do
hospital aliviado, mas sem nenhuma proteção contra a recorrência.
O que o paciente deve exigir
Todo paciente com litíase renal — especialmente aqueles com mais de
um episódio — tem o direito e o dever de cobrar do seu médico uma
investigação metabólica completa. O Nefrologista é o médico
especializado nessa investigação. Se o médico simplesmente disser para
beber mais água e não pedir nenhuma investigação, busque uma
segunda opinião com um especialista em litíase (Nefrologia).
A litíase renal é uma doença crônica, não um episódio isolado. Tratá-la
como tal — com investigação, seguimento e prevenção — é o único
caminho para que as pedras não voltem.
O QUE FAZER SE VOCÊ TEVE UM CÁLCULO RENAL
1. Procure um Nefrologista especializado em litíase.
2. Solicite investigação metabólica: sangue e urina.
3. Siga o tratamento preventivo individualizado — não apenas a hidratação.
4. Faça acompanhamento periódico: a litíase é uma doença crônica.
Prof. Dr. Carlos Machado
Especialista em Litíase Renal
WhatsApp Consultorio: +55 11 94565-1396
wa.me/5511945651396
Prof.Dr. CARLOS MACHADO, PhD∴
ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA - UNIFESP
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
PROFESSOR de Medicina em 3 Universidades
Pós-Doutorado - CORNELL UNIVERSITY
MEMORIAL SLOAN-KETTERING CANCER CENTER
Autor do Livro: ‘’Você é o que você come…’’
Ajudo a tratar do jeito certo a Hipertensão, Diabetes, Obesidade,
infecções renais e a eliminar pedras dos rins sem cirurgia.
Jornalista Pedro Ernesto Macedo
@jornalistapedroernesto